segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O MARAVILHOSO MUNDO DOS BONECOS (o dia que voltei a ser criança)

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Caoca Cruz
ANIMA SONHO - Rio grande do Sul

Qual criança inquieta eu esperava ansioso o horário de ir prá Maria Aragão. Apressava minhas filhas. A desculpa é que ia levá-las prá ver os bonecos, mas na verdade quem estava mais a fim de ver os espetáculos era eu. "Umbora, umbora" gritava eu apressado, "mas você sabe como é mulher prá se arrumar". Chegamos ao local, meus olhos brilhavam, uma estrutura de primeiro mundo, fiquei muito feliz, que assim como eu outras pessoas tratavam os bonecos com respeito. Fiz um passeio pelas barracas, vi os mestres bonequeiros fazendo bonecos, dando vida á imaginação. Vi as barracas de marionetes, criei vida e me fiz boneco numa barraca fotográfica que transformava as pessoas em marionetes ou será que era vice versa.. sei lá... o que importava isso? Aí finalmente o mestre de cerimônias deu início ao sonho, um verdadeiro menestrel, um poeta da linguagem comum... quando num luzido mágico adentrou a Maria Aragão o boi-tatá, imenso... tão grande como os meus medos de infância, acompanhavam o cortejo bonecos imensos que povoaram minha infância, as crianças (as outras) olhavam maravilhadas, e eu cada vêz mais feliz.. eu olhava em seus olhos que o sonho não acabou, que a inocência ainda existe, que a tradição convive com a modernidade. Após o cortejo iniciaram-se os espetáculos, bonecos manipulados de todas as formas, técnicas diferentes, alegrias iguais, menin(a)os... eu vi!

Vi os bonecos modernos (quanta tecnologia) , vi os bonecos antigos do Mestre Vitalino, aqueles acompanhados ao vivo com grupo de forró pé de serra... ah! você sabe o que mais eu vi... vi o espetáculo do Laborarte... aquele bem simples... com apenas um fundo preto... sabe não tinha muita tecnologia não, quase nenhuma a não ser a sonoplastia... mais sabe o que esse espetáculo tinha de mais importante? a magia... a interação...  a participação das crianças (entre elas eu é claro), o riso espontâneo, compartilhado... chorei de tanto sorrir... amparado por uma negra cantando Cacuriá (Cecé)... uma contenda narrada entre o bem e o mal... no qual adivinhem quem saiu vencedor? O Público.











Os fios que ligavam minhas pernas já estavam puídos.. mas num último esforço, dirigi-me ao palco 1. e assisti anestesiado um espetáculo maravilhoso sobre Santos Dumont... um show de manipulação, efeitos sonoros, sonoplastia, e todos e quaisquer outros adjetivos técnicos e pirotécnicos cabíveis ao espetáculo bonequeiro.

Isto findo, dirigi-me a uma barraquinha de churrasquinho de gato, e enquanto comia os pedaços do chaninho, me senti um homem muito feliz. Ah! minhs filhas, rapá sabe que até esqueci delas, mas elas estavam o tempo todo ao meu lado, me olhando admiradas, como quê exclamando: "Pai, eu nunca te vi tão feliz!".

Obrigado artistas... eu Pai, que sempre pego os fios, sempre manipulo, sempre dou as coordenadas, nesse dia fui eu o boneco, minhas filhas me conduziram, me deixaram viajar nos meus sonhos... me deram corda...e, quando chegamos em casa... simplesmente guardaram os fios... e eu amanheci mais feliz..

"Só sei que foi assim" ... o dia que eu voltei a ser criança!
 

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